Mauricio Barros

Mauricio Barros

Carille, o "Zé Alguém" do Timão

Maurício Barros
Gazeta Press
Carille treina o Corinthians desde o começo deste ano
Carille treina o Corinthians desde o começo deste ano

Corintiano, olhe para a frente: perder nos pênaltis para um Inter sedento por reafirmação não é nenhuma tragédia que deva abalar a confiança no seu promissor comandante. Fábio Carille é quem encara o maior desafio entre os treinadores da nova safra dos grandes clubes. Além de comandar esse caldeirão fervente chamado Corinthians, tem como chefes dirigentes fragilizados, que titubearam para efetivá-lo. Não pode contar com eles. Jamais irão bancá-lo em uma fase de derrotas. Pesa contra Carille também o fato de ser desconhecido, não ter sido um jogador famoso, ser um "Zé Ninguém". Seu único trunfo quando chegou era poder dizer que foi auxiliar técnico de Tite.

Pois o paulista de 43 anos faz um trabalho muito bom. Arrumou a defesa, organizou o time, venceu os clássicos, trouxe de volta o respeito perdido no ano passado. Sim, Fábio Carille já é um Zé Alguém. Nem mesmo essa eliminação da Copa do Brasil, mais uma queda em Itaquera, deveria abalar a crença de que é o homem certo para comandar o time no Campeonato Brasileiro. Digo deveria, porque, no futebol, sabemos que o condicional é o tempo verbal que mais se adequa ao presente.

Uma declaração de Carille chamou atenção na última semana: "Eu não vou desistir de jogador nenhum". Ele se referia a Giovanni Augusto, Marquinhos Gabriel e Guilherme, tríade de jogadores renomados que foi apelidada maldosamente por torcedores de "Trio Tiriça", em alusão a uma suposta falta de comprometimento. Giovanni se machucou, Marquinhos Gabriel perdeu pênalti na decisão contra o Inter. E Guilherme...

Um chefe decente precisa conhecer seus comandados além das habilidades técnicas. Entender quais outras questões pessoais e comportamentais possam interferir em seu desempenho. Quando se trata de jogador de futebol, então, isso é ainda mais necessário. E delicado. No caso de Carille, todos os subordinados têm mais fama e salário do que ele. Por isso mesmo, a importância de ter um treinador que tente recuperá-los. São investimentos financeiros e esportivos do clube. E já estão lá. O talento que os fez serem jogadores cobiçados não desapareceu de uma hora para outra.

Carille parabeniza grupo do Corinthians e lamenta: 'Faltou matar'

Ao dizer publicamente que não vai desistir deles, Carille também legitima sua liderança em relação ao grupo, um desafio constante e diário desde que assumiu. Cabe ao trio devolver em bola esse voto de confiança.