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O pôquer de competição começou a ganhar força no começo da década de 70, quando a primeira edição da World Series Of Poker aconteceu em Las Vegas. Nesta época o vencedor era escolhido por votação pelos próprios companheiros. Nas edições seguintes o formato ficou similar ao de hoje em dia, com uma série de campeonatos de diversas modalidades. O evento principal é disputado na mais conhecida delas, o Texas Hold’em, onde o jogador tem que fazer a melhor combinação possível com as duas cartas que possui e as cinco cartas comunitárias que são abertas na mesa.
Mas a explosão aconteceu mesmo em 2003. O jogo já estava começando a ficar popular na internet, e foi através de um torneio pequeno em um site que Chris Moneymaker conseguiu sua vaga para o “Main Event” da WSOP, evento transmitido pela ESPN. Moneymaker acabou vencendo o torneio, transformando os U$39 que havia investido em dois milhões e meio de dólares. No ano seguinte o número de participantes triplicou, chegando quase a três mil jogadores. E graças a nova tecnologia, com câmeras instaladas nas mesas, as cartas dos jogadores agora eram mostradas para os telespectadores, que passaram a sentir a mesma emoção daqueles que estavam sentados na mesa de jogo. A partir daí a audiência só cresceu, transformando a WSOP em um dos principais eventos esportivos para os americanos.
Hoje em dia são disputados centenas de torneios ao redor do mundo. Os circuitos mais importantes são a World Series Of Poker (WSOP), o World Poker Tour (WPT), o European Poker Tour (EPT), o Asia Pacific Poker Tour (APPT) e o Latin American Poker Tour (LAPT), que teve sua etapa de estréia disputada no Rio de Janeiro no ano passado.
Depoimento pessoal
Comecei no pôquer há quase vinte anos. Toda sexta-feira à noite eu jogava por horas com os amigos de colégio. Naquela época o que menos importava era o jogo. O que valia mesmo era a conversa, a cerveja e as risadas.
Tudo isso mudou em 2003. Naquele ano acompanhei as transmissões da vitória de Chris Moneymaker na WSOP e vi que o poker tinha se transformado. O jogo que eu gostava agora era outro: mais complexo, mais sério, mais competitivo. Já havia abandonado as sextas-feiras com os amigos há anos, mas passei a me dedicar ao pôquer de outra maneira. Comecei descobrindo que agora não bastava chegar à mesa e seguir os meus instintos. Precisava estudar o jogo. E foi aí que eu me apaixonei...
O pôquer é complexo. Ele tem dois lados que parecem totalmente incongruentes, pois mistura matemática com psicologia, razão com emoção. Mas é justamente esta combinação que torna a disputa fascinante. Para quem joga e para quem assiste.
Destaques internacionais
Doyle Brunson
Com 75 anos de idade, Doyle Brunson joga profissionalmente há mais de cinqüenta anos. Sua carreira no pôquer começou depois que teve uma contusão séria no joelho e foi obrigado a abandonar o basquete, onde jogou pela Universidade de Hardin Simmons no Texas. Ele inclusive chegou a fazer testes no Minneapolis Lakers. Mas se o esporte perdeu um atleta, o pôquer ganhou uma estrela. Brunson foi um dos pioneiros do Texas Hold’em em Las Vegas e disputa a World Series Of Poker desde as primeiras edições no início da década de 70. Conhecido também pelo apelido de “Texas Dolly”, ele tem atualmente dez braceletes de ouro da WSOP, inclusive os do Main Event de 76 e de 77. Doyle Brunson é autor do livro que muitos consideram a Bíblia do poker: “Super System”.
Stu Ungar
Dono de um Q.I. altíssimo, Stu Ungar aprendeu desde criança a jogar cartas. Blackjack e Gin Rummy eram seus jogos preferidos. Mas seu talento para o pôquer é incomparável. Até hoje ele é considerado o melhor jogador de Texas Hold’em de todos os tempos. Ungar tem três títulos no Main Event da WSOP: ele venceu a disputa em 80, 81 e 97. Esta última conquista parecia ser a redenção de Stu Ungar, que estava tendo problemas com tóxicos e havia abandonado o mundo do poker. Ele voltou a disputar torneios e acabou levando o bracelete. Mas os anos de abuso acabaram prejudicando sua condição física, causando sua morte em 1998.
Phil Hellmuth
Phil Hellmuth passou a ser conhecido por todos no pôquer depois de vencer o Main Event da WSOP em 1989, aos 24 anos. Este foi o primeiro bracelete de Hellmuth, que hoje possui onze ao todo, um recorde na World Series. Dono de um ego gigantesco e de uma personalidade controversa, ele é uma unanimidade quando se trata de Texas Hold’em. Todas as suas conquistas importantes foram nesta modalidade, inclusive o título da primeira edição do National Heads-Up Poker Championship, onde frente aos melhores jogadores do mundo Hellmuth bateu Chris “Jesus” Ferguson na final.
Barry Greenstein
Barry Greenstein é um jogador completo. Veterano do jogo mais caro do mundo, que acontece regularmente no Bellagio, Greenstein é um especialista em todas as modalidades de poker, do Texas Hold’em ao poker chinês. Sua lucratividade no cash game de Las Vegas é tão grande que ele não se interessava em participar de torneios. Mas com a explosão do poker em 2003, ele passou a disputar os principais eventos do calendário mundial. E o resultado não poderia ser melhor: Greenstein já possui quatro braceletes da WSOP (o mais recente conquistado agora em 2008) e dois troféus do WPT. Mas o dinheiro destas conquistas não fica com ele. O “Robin Hood” do pôquer doa todos os seus ganhos em torneios para instituições de caridade. E estes números hoje já superam os seis milhões de dólares...
Daniel Negreanu
O canadense Daniel Negreanu é o jogador mais carismático do pôquer. Negreanu costuma dominar as mesas por onde passa com sua simpatia. Mas esta é mais arma de seu arsenal. Ele tem o melhor poder de leitura dos adversários entre os jogadores do circuito, além de dominar perfeitamente o aspecto técnico e psicológico do jogo. Com todas estas qualidades, Negreanu foi contratado a peso de ouro para ser um dos destaques do Team PokerStars, a equipe de jogadores profissionais do site. Dizem que os valores são parecidos com o das contratações dos maiores craques do futebol mundial. Parece justo para um jogador que possui quatro braceletes na WSOP e sete mesas finais em WPT, incluindo suas duas vitórias.
Destaques nacionais
André Akkari
O paulistano André Akkari teve a ascensão mais rápida da história do pôquer nacional. Em apenas dois anos ele se transformou de jogador dos torneios gratuitos a vencedor nos principais torneios da internet. Em julho de 2007 ele foi contratado pelo PokerStars para fazer parte do time de profissionais do site, junto a nomes como Daniel Negreanu, Barry Greenstein, Joe Hachem, Chris Moneymaker e Greg Raymer.
Igor Federal
Igor “Federal” Trafane é um dos mais carismáticos jogadores brasileiros. Mestre no Omaha, foi no Hold’em que ele conseguiu fazer história, se tornando o brasileiro mais bem colocado no Main Event da WSOP, quando ficou com a posição número 304 entre os quase nove mil participantes.
Christian Kruel
O carioca Christian Kruel é considerado um dos pioneiros do poker no Brasil, junto com seu amigo e sócio Raul Oliveira. CK tem vários resultados positivos no online, e também foi o primeiro brasileiro a chegar a uma mesa final do WPT, quando o torneio das Bahamas ainda fazia parte do World Poker Tour. Ele também disputou a Copa do Mundo de Poker em 2006, como um dos representantes da equipe brasileira.
Raul Oliveira
Parceiro de Christian Kruel e pioneiro do Hold’em no Brasil, Raul Oliveira é especialista em Limit Hold’em. Sempre discreto, Raul não costuma disputar muitos torneios, preferindo os ring games. Mas isto não impede que ele tenha ótimos resultados, como a quadragésima posição no evento de encerramento da quarta temporada do World Poker Tour, o WPT Five Star Classic no Bellagio.
Felipe “Mojave” Ramos
Felipe Ramos é uma das novas revelações do pôquer nacional. Com bons resultados nos torneios no Brasil, Mojave se destacou nas duas últimas etapas da quarta temporada do European Poker Tour em 2008. Ele ficou com a décima terceira posição no EPT San Remo e também atingiu a faixa de premiação do EPT Grand Final em Monte carlo.
Thiago “TheDecano” Nishijima
Thiago Nishijima apareceu no cenário do pôquer em 2007, ano em que terminou na primeira colocação do Ranking Brasileiro SuperPoker. No ano seguinte foi a vez da Europa conhecer “TheDecano”: ele conseguiu a terceira posição no WPT Barcelona, a melhor colocação de um brasileiro em eventos do World Poker Tour.
Alexandre Gomes
Alexandre Gomes entrou para a história do pôquer brasileiro em 2008. O curitibano de 25 anos foi o primeiro brasileiro a conquistar um bracelete da WSOP. Ele venceu o evento 48 de U$ 2.000 No Limit Hold’em, batendo um field de 2317 participantes.
Gualter Salles
Gualter Salles era piloto da Fórmula Indy e da Stock Car. Hoje ele é dono de uma equipe e jogador profissional de pôquer. Gualtinho está se tornando presença constante nos principais torneios do mundo, inclusive na WSOP, onde foi um dos únicos brasileiros que atingiram a faixa de premiação no Main Event de 2007.
Curiosidades
Johnny Chan é o melhor jogador do mundo. Pelo menos para Mike McDermott (Matt Damon) e Les “Worm” Murphy (Edward Norton), os dois protagonistas de “Cartas na Mesa” (Rounders). No filme, que é considerado um clássico pelos fanáticos por pôquer, Chan aparece vencendo Erik Seidel no heads-up do Main Event de 1998.
Chris Moneymaker é sempre citado como o maior responsável pela explosão do poker no mundo. Em 2003, ele venceu o Main Event da WSOP e ficou com o prêmio de dois milhões e meio de dólares, depois de ter conseguido sua vaga através de um torneio satélite na internet que custou apenas 39 dólares. O curioso é que muitos acham que Moneymaker, seu nome de batismo, é um apelido...
O Latin American Poker Tour teve sua primeira etapa disputada em maio de 2008 no Rio de Janeiro. Este foi o primeiro grande torneio internacional realizado no país. E a disputa também foi pioneira em outro aspecto: o torneio recolheu imposto dos premiados direto na fonte, com uma parcela do dinheiro revetrtida para a Receita Federal.