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Doda fatura a medalha de bronze em Lyon, na França, com 42s43
Brasileiro foi o terceiro melhor na prova com obstáculos a 1,50m do Concurso Internacional de Saltos de Lyon e completou a prova em 42s43
Por André Argolo e José Roberto Malia
Certo dia, alguém conseguiu domar e montar em um cavalo. Jamais poderia imaginar que estaria dando início a um dos esportes mais nobres do planeta. A história do hipismo se confunde com a da própria civilização, quando o homem começou a usar o cavalo como meio de locomoção. Conhecido pela elegância, é um dos poucos esportes em que homens e mulheres competem lado a lado.
A história ainda conta que o hipismo surgiu do costume de nobres europeus, especialmente ingleses, de praticarem caça à raposa, quando os cavalos precisavam saltar troncos, riachos, barrancos e outros obstáculos que encontravam pela floresta.
Mas foi apenas em 1921 que foi criada a Federação Eqüestre Internacional. A essa altura, o hipismo já era largamente praticado em três categorias: saltos, adestramento e concurso completo de equitação (CCE).
Saltos é a categoria mais conhecida e, dependendo da competição, ganha quem percorrer um trajeto determinado no menor tempo possível, derrubar o menor número de obstáculos ou somar o maior número de pontos. No adestramento, o vencedor é determinado por uma avaliação de juízes, que julgam a performance nos movimentos obrigatórios e na coreografia livre. Já o CCE é uma categoria cuja disputa dura três dias, envolvendo adestramento, prova de fundo (subdividida em quatro etapas) e saltos.
O esporte tem como linha básica para um bom resultado a integração do conjunto (cavaleiro/cavalo). Com o passar do tempo, o comportamento do cavaleiro foi mudando a fim de facilitar o trabalho do animal. Inicialmente, o montador ficava com o corpo na vertical, forçando o equilíbrio nas rédeas e no estribo.
No final do século 19, o italiano Frederico Caprilli decidiu deixar a cabeça e o pescoço da montaria livres, sem alterar o equilíbrio do cavalo no instante do salto. Atualmente, os cavaleiros mantêm o corpo inclinado para frente, acompanhando a direção do animal na transposição do obstáculo.
Sem divisão por sexo, os competidores são separados conforme a idade: minimirim (oito a 12 anos), mirim (12 a 14), juniores (14 a 18) e seniores (acima de 18). As entidades que dirigem o esporte costumam utilizar também as seguintes divisões: principiantes, aspirantes, jovens cavaleiros, seniores novos, veteranos e proprietários.
No Brasil
O primeiro registro de uma competição de hipismo no Brasil data de abril de 1641, graças a um holandês. A prova teria sido organizada por Maurício de Nassau, em Recife, com a presença de cavaleiros holandeses, franceses e brasileiros. Mas somente em 1911, os primeiros clubes foram fundados no país:
Hípica Paulista e Clube Esportivo de Equitação do Rio.
O esporte ganhou mais impulso no país na primeira metade da década de 20, com a chegada de uma missão militar francesa. Os europeus permitiram uma melhoria na organização e na técnica do esporte.
No começo do século 19, o hipismo se resumia em montar no cavalo e pular cerca. As primeiras mudanças só surgiram no século seguinte. Em 1902, o italiano Federico Caprilli introduziu cercas seguidas, e os torneios começaram a ser disputados com 15 e 20 obstáculos. Até então, o esporte era dividido em saltos longos e saltos altos.
Olimpíada
O hipismo fez parte do programa da primeira Olimpíada da Era Moderna, em Atenas/1896, como esporte de demonstração. Foi incorporado definitivamente aos Jogos em 1912, em Estocolmo.
O Brasil participou pela primeira vez de uma Olimpíada em Londres/1948. A equipe era formada apenas por militares. Nelson Pessoa foi o primeiro grande nome brasileiro ligado ao hipismo em Jogos Olímpicos. Obteve o quinto lugar nos saltos em Tóquio/1964.
Depois de 32 anos, em Atlanta, veio a primeira medalha: o bronze nos saltos por equipe, com Rodrigo Pessoa (filho de Nelson), Luiz Felipe Azevedo, Álvaro Affonso de Miranda Neto e André Johannpeter. Em Sydney/2000, o mesmo time ganhou outro bronze. E em Atenas/2004, o auge com a conquista do ouro de Rodrigo Pessoa. O brasileiro havia conquistado a prata, mas herdou o ouro após o doping no cavalo do conjunto irlandês.
Os militares praticamente dominaram as competições até 1952, quando um civil francês, Pierre Jonqueres d'Oriola, ganhou o ouro em Helsinki. Em 1956, foi a primeira vez que uma mulher (a inglesa Patricia Smythe) faturou uma medalha no esporte - o bronze, por equipe.
Destaques
Nelson Pessoa
Data de nascimento: 16/12/1935
Local: Rio de Janeiro
Principais conquistas:
Recordista de vitórias no Derby de Hamburgo (sete).
Tricampeão do Derby de Hickstead.
Quinto lugar nos Jogos Olímpicos de Tóquio (1964).
Vencedor de 150 GPs na Europa.
Tetracampeão brasileiro.
Participação de cinco Olimpíadas: Melbourne (1956), Roma (1960), Tóquio (1964), México (1968) e Munique (1972).
Considerado o melhor cavaleiro brasileiro de todos os tempos, Nelson Pessoa virou grife internacional.
Técnico e responsável por um dos mais famosos centros de treinamento da Bélgica, é uma referência toda vez que se fala em hipismo. Na história brasileira em Pan-americanos, seu nome também ocupa espaço especial. Nelson Pessoa integrou a equipe que conquistou a primeira medalha da modalidade no torneio, em Winnipeg (1967), e ainda faturou a prata na competição individual.
Rodrigo de Paula Pessoa
Nascimento: 29/11/72
Local: Paris (França)
Altura: 1,77 m
Álvaro Affonso de Miranda Neto (Doda)
Nascimento: 05/02/73
Local: São Paulo (SP)
Altura: 1,86 m
André Bier Johannpeter
Nascimento: 10/03/73
Local: Porto Alegre (RS)
Altura: 1,79 m