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por Fábio Matos
O surgimento da ginástica remete à simples prática de exercícios físicos feitos por chineses e indianos por volta de 2.600 AC, que também foi amplamente desenvolvida na Grécia Antiga. Naquela época, os soldados gregos executavam uma série de atividades como montar e desmontar em cavalos, por exemplo. E os atletas praticavam o esporte nus (“gymnos” significa “nu” em grego) nos chamados “gymnasios”, sempre em nome do deus Apolo.
Foram justamente os gregos que criaram as primeiras escolas cujo objetivo era preparar os atletas para as pomposas exibições em público e nos ginásios. Após um longo período de baixa durante a Idade Média, a ginástica teve sua retomada a partir da segunda metade do século 18, muito por conta da influência do livro “Émile”, de Jean Jacques Rousseau. Nesse período, uma série de importantes educadores de todo o mundo começou a se debruçar sobre a importância da ginástica e da Educação Física. A definição do espanhol Amoros para a ginástica é “a ciência racional dos nossos movimentos e de suas relações com nossos sentidos, inteligência, sentimentos e o completo desenvolvimento de nossas faculdades”.
Houve nítida evolução da Educação Física em toda a Europa, impulsionada pelo desenvolvimento das escolas alemã (movimentos lentos e ritmados) e sueca (introdutora dos aparelhos na prática da modalidade). O caminho já era irreversível: de um simples conjunto de exercícios físicos executados na Antigüidade, a ginástica rapidamente foi alçada à condição de modalidade esportiva. Atualmente, há cinco modalidades diferentes no mesmo esporte: ginástica artística, rítmica, trampolim acrobático (todas olímpicas), acrobática e aeróbica (disputadas em Mundiais).
Curiosidades
O primeiro aparelho com contrações mecânicas foi criado no fim do século 19, pelo sueco Gustav Zander. Segundo a revista ‘Cabinet’, Zender apelava a argumentos semelhantes aos utilizados hoje em dia pelas academias de ginástica e professores de Educação Física para convencer as pessoas a usar os aparelhos: para o sueco, os aparelhos eram “remédios que combatem os males da vida sedentária e do excesso de trabalho”.
A ginástica artística estreou nos Jogos Olímpicos já na primeira edição da chamada Era Moderna, em Atenas (1896). Também por conta dessa rica história olímpica, a modalidade é sempre apontada como uma das mais atraentes ao público durante qualquer edição dos Jogos.
Geralmente, o calendário olímpico da ginástica em suas três modalidades (artística, rítmica e de trampolim) prevê as seguintes disputas de medalha: individual geral masculino, equipes masculino, solo masculino, barra fixa masculino, barras paralelas masculino, cavalo com alças masculino, argolas masculino, salto sobre a mesa masculino, individual geral feminino, equipes feminino, trave feminino, solo feminino, barras assimétricas feminino e salto sobre a mesa feminino (ginástica artística); individual geral feminino e equipes feminino (rítmica); e individual masculino e feminino (trampolim).
Destaques internacionais
Nadia Comeneci: a ginasta romena brilhou na Olimpíada de Montreal, em 1976, cravando a marca histórica de sete notas 10 ao final da competição. Então com apenas 14 anos, 1,50m e 35 kg, a atleta teve uma atuação espetacular nas barras assimétricas e na trave. Ao todo, foram cinco medalhas (três de ouro, uma de prata e outra de bronze), que renderam a Comeneci o título de ‘rainha de Montreal’. Em Moscou/1980, a romena não repetiu o mesmo desempenho avassalador de quatro anos antes, mas levou para casa, ainda assim, uma medalha de prata e duas de ouro. Em 1989, Comaneci fugiu de seu país, seguiu para a Áustria e acabou pedindo asilo político nos EUA.
Larissa Latynina: nascida na Ucrânia (país que fazia parte da União Soviética na época) em 1934, a ginasta fez história nos Jogos de Tóquio, em 1960, conquistando seis medalhas – duas de ouro, duas de prata e duas de bronze. Ao longo da carreira, Latynina faturou 18 medalhas em Olimpíadas. É a atleta mais vencedora da história dos Jogos, entre homens e mulheres. Também é a única mulher que tem nove medalhas de ouro no currículo.
Vitaly Scherbo: então com 20 anos, o ginasta bielorrusso entrou para a história olímpica em 2 de agosto de 1992, em Barcelona, quando se tornou o primeiro atleta a ganhar quatro medalhas de ouro em um único dia de disputas. Ao todo, naqueles Jogos, foram seis ouros em oito possíveis. Em Atlanta/1996, Scherbo conquistou quatro bronzes.
Agnes Keleti: a ginasta húngara brilhou na Olimpíada de Melbourne, em 1956, quando assegurou sua décima medalha no torneio. Foram quatro ouros e duas pratas na ginástica artística, o que fez de Agnes a terceira atleta com o maior número de medalhas na história dos Jogos. Pouco antes do início da competição, ela teve o pai assassinado por soldados soviéticos em Budapeste e, mesmo assim, teve forças para brilhar na Olimpíada. Em Melbourne, Agnes teve Larissa Latynina como principal rival na briga por medalhas.
Anton Heida: estudante de Engenharia e filho de um rico empresário, o ginasta norte-americano venceu o duelo particular com o colega de delegação George Eyser na Olimpíada de Saint-Louis, em 1904. Ele conquistou cinco medalhas de ouro e uma de prata, terminando os Jogos em uma hipotética segunda colocação no quadro geral de medalhas dos países – à frente de toda a delegação da Alemanha, por exemplo.
Destaques nacionais
Daiane dos Santos: apontada como a grande esperança da delegação brasileira na Olimpíada de Atenas, em 2004, Daiane não faturou medalha, mas disputou a final do solo e terminou na quinta colocação. Foi o melhor desempenho da história brasileira nos Jogos. Além da participação olímpica, a atleta gaúcha é a primeira do Brasil a levar a medalha de ouro em Mundiais (2003) e a executar o duplo twist carpado, salto até então inédito e de altíssima dificuldade que recebeu a denominação oficial de “Dos Santos”.
Daniele Hypólito: a ginasta chegou ao Flamengo em 1994, após passagem importante pelo SESI, de Santo André (SP), e desde então viu a carreira deslanchar. Em 1996, foi a primeira colocada no individual e no geral do Campeonato Nacional e, no ano seguinte, foi campeã brasileira nas mesmas categorias. Na Olimpíada de Sydney/2000, chegou a disputar todas as finais e foi 21ª colocada no individual geral, 17ª nas barras assimétricas e no solo e 16ª na trave de equilíbrio. Em 2001, no Mundial de Gante (Bélgica), trouxe para o Brasil a primeira medalha da história do país em Mundiais; nos Jogos de Atenas/2004, ficou em 12º lugar na final do individual geral; e no Pan do Rio, em 2007, levou a prata por equipes e o bronze na trave.
Laís Souza: a atleta paulista, nascida em Ribeirão Preto, começou a despontar como grande aposta da ginástica brasileira no Pan-americano de Santo Domingo, em 2003, quando foi quarta colocada no salto e ganhou a medalha de bronze por equipes. Fez sua estréia olímpica em 2004, em Atenas, e faturou a nona colocação na disputa por equipes e o 18º lugar na trave de equilíbrio. A afirmação de Laís veio em 2005, com o título no salto e o vice-campeonato no solo na etapa de Cottbus (Alemanha) da Copa do Mundo, além do título no salto em Stuttgart (Alemanha). Em 2006, foi eleita pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) a melhor atleta do país.
Diego Hypólito: irmão de Daniele Hypólito, Diego é atualmente o principal nome da ginástica brasileira e um verdadeiro especialista no solo. Aos 19 anos, já havia disputado três Campeonatos Mundiais: foi quinto colocado em 2002, quarto em 2003 e campeão em 2005. Diego foi o primeiro ginasta da América do Sul a conquistar medalhas em Mundiais da modalidade. Em 2007, ele deu show no Pan do Rio, com dois ouros (solo e salto) e uma prata (por equipes) – e também entrou para a história como o primeiro brasileiro a receber uma medalha de ouro na categoria. Ainda em 2007, foi campeão mundial em Stuttgart, na Alemanha.
Luísa Parente: nascida no Rio de Janeiro em 1973, a ginasta marcou época num período em que a modalidade ainda era denominada “olímpica”, e não “artística”. Começou no Flamengo, aos seis anos, e encerrou a carreira no clube, aos 22. Conquistou o título mundial em todas as categorias e disputou duas Olimpíadas – Seul/1988 e Barcelona/1992. No Pan-americano de 1991, em Havana (Cuba), Luísa Parente faturou duas medalhas de ouro.